Terça, 18 Setembro 2012 21:00

Simplesmente Eu, Clarice Lispector

Espetáculo será encenado de 31 de outubro a 4 de novembro

Visto por mais de 400 mil pessoas, o espetáculo Simplesmente Eu, Clarice Lispector deu a Beth Goulart quatro prêmios de melhor atriz: Shell 2009, APTR, Revista Contigo e Qualidade Brasil que premiou também como melhor espetáculo. Foi indicado ainda ao Prêmio Shell 2009 de melhor iluminação (criada por Maneco Quinderé) e melhor produção pelo Prêmio APTR. 

Em Blumenau, a peça terá cinco sessões entre os dias 31 de outubro e 4 de novembro. Os ingressos custam, nos dias 31/10 e 1º/11, R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia); e nas demais datas, R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia). As entradas já estão à venda no site Blueticket (http://bit.ly/RoWoWB) e começam a ser vendidas na bilheteria do TCG nesta quinta-feira, dia 20. O funcionamento ocorre de segunda a sexta, das 8h30min às 12h e das 13h30min às 18h.
O espetáculo tem como um de seus maiores objetivos, fomentar a leitura. Por isso, após cada apresentação Beth Goulart realiza o sorteio de dois livros da obra de Clarice Lispector.

Sinopse da peça

Joana, uma mulher inquieta e criativa foi a primeira personagem de Clarice Lispector que Beth Goulart conheceu. No auge da adolescência, ao ler Perto do Coração Selvagem, romance de estreia da autora, sua identificação foi inevitável. "Eu achava que não era compreendida. O que fazer com isso tudo dentro de mim, com esse processo criativo? Só Clarice me entendia", confessa Beth. Depois de Joana, que representa o impulso criativo selvagem, vieram outras mulheres na escrita de Clarice. Entre elas, está Ana, do conto Amor, que leva uma vida simples, dedicada ao marido e aos filhos e tem a rotina quebrada ao se impressionar com a magia do Jardim Botânico. Ela representa a fase em que Clarice se dedicou totalmente ao marido e aos filhos.

Lóri, da obra Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres é uma professora primária que mora sozinha e se prepara para descobrir o amor. Toda a obra de Clarice é uma ode ao amor. Há ainda outra mulher sem nome, que, no conto Perdoando Deus, se deixa mergulhar na liberdade enquanto passeia por Copacabana, representando a ironia, a inteligência e o humor na obra de Clarice. Essas quatro mulheres, que, para Beth, "representam algumas facetas da própria Clarice", foram escolhidas para apresentar ao público a obra de um dos maiores nomes da literatura brasileira. Em Simplesmente eu, Clarice Lispector, espetáculo que teve estreia nacional em julho de 2009 em Brasília, no Centro Cultural Banco do Brasil, a atriz interpreta, além da escritora e suas personagens, fragmentos que reconhece em si mesma: "Usando as palavras dela, eu também estou falando de mim, eu me revelo através de minhas escolhas".

Na peça, Beth faz reflexões sobre temas como criação, vida e morte, Deus, cotidiano, solidão, arte, loucura, aceitação e entendimento e trabalha pontos característicos da obra de Lispector, como o vazio, o silêncio e o instante-já, "aquele momento único, que é como um flash, um insight", explica a atriz. Para o monólogo, que ela também dirige, passou dois anos mergulhada em longa pesquisa. A narrativa se constrói a partir de trechos de entrevistas, depoimentos e correspondências. Segundo Beth, toda essa ligação se dá por uma única linha: o amor. "Ela falava sobre o amor maternal, o do relacionamento, o amor a Deus, à natureza, ao próximo. Escolhi esse viés para apresentá-la ao público." Para a atriz, representar Clarice Lispector é realizar um antigo desejo. "Eu sempre acalentei essa vontade de um dia poder dar meu corpo, minha voz, minhas emoções para colocá-la viva em cena".

A caracterização foi feita de forma cuidadosa. Detalhes como a maquiagem ganharam tratamento especial de Beth Goulart, que optou por um caminho neutro para passear livremente pela pele das personagens e da autora. "O espetáculo todo é como se fosse uma grande folha em branco a ser escrita por esses personagens, pelos movimentos, pelas ações, pelos sentimentos, pela luz."

O espetáculo

O espetáculo mostra a trajetória desta mulher em direção ao entendimento do amor, de seu universo, suas dúvidas e contradições. Uma autora e seus personagens dialogando sobre a vida e morte, criação, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, entrega, inspiração, aceitação e entendimento. O texto é extraído de depoimentos, entrevistas, correspondências de Clarice e trechos das obras: Perto do Coração Selvagem, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres e os contos Amor e Perdoando Deus.

Encontro de Beth Goulart com Clarice Lispector

“O que me levou a fazer Clarice Lispector no teatro foi o mistério do espelho, a identificação que sinto por ela. Além da vontade de trazer mais luz sobre esta mulher que revolucionou a literatura brasileira, redimensionou a linguagem falando do indizível com a delicadeza da música, usando a escrita como uma revelação, buscando o som do silêncio ou fotografar o perfume. ‘A arte é o vazio que a gente entendeu’ diz Clarice. Quero atingir o vazio de mim mesma para refletir a profundidade desta mulher que conhece o segredo das palavras e suas dimensões. O questionamento, é a busca constante do artista diante de sua escolha, e, como ela, eu gosto de intensidades. Há dois anos mergulhei num processo de pesquisa para escrever este roteiro lendo tudo o que podia de sua obra e livros biográficos.

Fiz dois workshops com Daisy Justus uma psicanalista especializada em Clarice Lispector que analisa sua obra sob a ótica da psicanálise. Vi e ouvi tudo o que podia sobre ela, suas entrevistas, fotos, o depoimento no MIS, a entrevista póstuma na TV Cultura, enfim me tornei uma esponja de tudo o que se referia a ela. Neste olhar apaixonado escolhi sua obra para recontá-la. Construí um corpo narrativo com trechos de entrevistas, depoimentos e correspondências que preparam os personagens que irão se apresentar ao público como desdobramentos dela mesma.

Os temas abordados são reflexões sobre criação, vida e morte, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, arte, loucura, amor, inspiração, aceitação e entendimento. Clarice é muito pessoal em seus escritos e todos os seus personagens tem algo de si mesma. Acho que Joana de Perto do Coração Selvagem talvez seja a mais parecida com sua essência criativa e indomável. Ana do conto Amor é a dona de casa e mãe dedicada que Clarice certamente foi. Lori de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres vive em cena as descobertas do amor e A Mulher do conto Perdoando Deus é uma bem humorada autocrítica”.

A direção – Beth Goulart

“Optei na direção por uma linha de sutilezas e sugestões. Ao invés de estar maquiada como Clarice, escolhi uma máscara neutra para poder me transformar nos outros personagens e voltar para ela. Os personagens nascem pela energia de cada um, de dentro para fora e não ao contrário, assim como o figurino com pequenos detalhes que se somam a uma base também neutra. O cenário se utiliza do vazio essencial com os elementos mais concretos demarcando as áreas de ação da autora deixando o vazio para seus personagens. O tom de Clarice é mais narrativo, como uma conversa com o público e seus personagens são mais ousados na linguagem corporal e na dramaticidade e humor. A música ajuda na fluidez do espetáculo tornando tudo um movimento contínuo que se estende do início ao fim. A luz é fundamental para delinear os espaços e criar a magia das dimensões”.

Os parceiros

Beth Goulart escolheu parceiros de peso para a criação do espetáculo. A supervisão de direção é do mestre Amir Haddad que irá questionar as escolhas da atriz e diretora para atingir melhor o público e compartilhar a alegria do ato teatral. A trilha foi criada por Beth e especialmente composta por Alfredo Sertã inspirada em Eric Satie, Arvo Part, Debussy e Lalo Schifrin. A iluminação é de Maneco Quinderé. A direção de movimento de Márcia Rubin é fundamental para a sutileza das transmutações e a precisão de gestos e coreografias. Rose Gonçalves ajuda a visualização de cada palavra em sua preparação vocal dando maior noção de tempo à narrativa. O cenário de Ronald Teixeira e Leobruno Gama remete a ideia de um útero branco que abraça todo o espaço cênico dando a neutralidade do vazio e a magia do onírico. O figurino de Beth Filipecki com elegância e simplicidade aproxima Beth de Clarice. As fotos são da italiana radicada no Brasil Fabian e de Lenise Pinheiro. O visagismo das fotos é de Rose Verçosa. O visagismo do espetáculo é de Westerley Dornellas. A programação visual de João Gabriel Carneiro e direção de produção e assessoria de imprensa nacional são de Pierina Morais.

Serviço:
Simplesmente Eu, Clarice Lispector
Datas: de 31 de outubro a 4 de novembro
Local: Teatro Carlos Gomes – Auditório Willy Sievert
Horários e ingressos:
31/10, às 21h, R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia)
1º/11, às 21h, R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia)
2/11, às 21h, R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia)
3/11, às 21h, R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia)
04/11, às 19h, R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia)
Desconto de 20% para titular e acompanhante do Clube do Assinante do Santa.
Bilheteria (a partir desta quinta, dia 20): de segunda a sexta, das 8h30min às 12h e das 13h30min às 18h
Venda online através do site Blueticket (http://bit.ly/RoWoWB)
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Mais informações: (47) 3144-7166

Fonte: Pierina Morais Comunicação

Aconteceu

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